É fácil, quando precisamos, imaginar o sentido horário ou anti-horário na hora de girar alguma coisa, como um parafuso — é de comum acordo que os ponteiros do relógio vão da esquerda para a direita, na parte de cima, e da direita à esquerda, na parte de baixo. Mas porque, afinal, eles são assim? Quem definiu a orientação dos relógios?
- Não teremos mais ajustes no relógio até o ano 2135. O que isso significa?
- Talvez o tempo não exista. Quais são as implicações científicas disso?
Não há nenhum motivo vindo da física ou sequer da nossa percepção psicológica do tempo, mas, sim, algo geográfico que se tornou uma convenção histórica. Tudo, no fim das contas, deriva dos relógios solares — e do local onde foram inventados.
A história dos relógios
Antes dos relógios mecânicos com os ponteiros dispostos da maneira como conhecemos, os relógios eram solares, discos com uma ponta elevada apontada para o norte que gera uma sombra. No hemisfério norte, o Sol surge no leste e vai para o oeste ao longo do céu, criando, em um relógio solar, o movimento com o sentido que chamamos de “horário”.
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Qual foi o primeiro relógio de sol? Embora alguns cientistas apontem monumentos neolíticos como sendo uma espécie de aparelho para medir o tempo, como o Stonehenge, o primeiro que sabemos com certeza ter esse propósito surgiu há pelo menos 3.500 anos, no Egito.
Já o primeiro aparelho mecânico para tal foi fabricado na China, em cerca de 725 d.C. Entre 1270 e 1300 d.C., relógios com engrenagens foram feitos na Europa, entre o norte da Itália e sul da Alemanha, mas ainda usando pesos para mover sinos ou discos girantes como forma de informar o horário.
Mais tarde, os ponteiros surgiram como os conhecemos, mas, caso a invenção tivesse sido feita no hemisfério sul, é provável que o sentido horário seria invertido. A percepção do tempo não é universal e varia muito: estudos sugerem que pessoas com sistemas de escrita da esquerda para a direita, como o nosso, pensam em tempo como algo que passa nessa mesma orientação.
Em línguas onde a lógica reverte-se e a escrita é da direita para a esquerda, como árabe e hebraico, a percepção de tempo também muda. Já em sistemas como o mandarim, onde se escreve de cima para baixo, o tempo é percebido, de forma abstrata, num eixo vertical. Até mesmo o tempo, algo tão universal, é curiosamente afetado pela nossa própria percepção.
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